Anti-inflamatórios comprometem o treinamento
- 15 de jul. de 2018
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O treinamento de força provoca adaptações fisiológicas que darão origem ao aumento da massa muscular, segundo Schoenfeld (2010), isso ocorre por dois fatores:
✔ Mecanotransdução: transformação de energia mecânica (contração muscular) em sinalizações químicas que desencadeiam o processo de estimulação das vias Akt/mTOR (síntese proteica miofibrilar);
✔Microlesões: lesões microscópicas localizadas nas estruturas celulares (sarcolema, sarcômero) decorrentes da contração muscular com sobrecarga (principalmente excêntrica), desencadeando processo inflamatório, proliferação e migração de células satélites.
O sistema imunológico apresenta um papel fundamental no processo de reparo, regeneração e crescimento muscular, por meio de células de defesa como neutrófilos, macrófagos e citocinas, frente ao estresse mecânico imposto. Esse fenômeno induz o direcionamento de células satélites (células capazes de fundir-se para aumentar o número de fibras musculares existentes e formar novas fibras) para o local do dano muscular, iniciando os processos de remodelamento tecidual.
Através das informações acima podemos verificar que o processo inflamatório é extremamente complexo e importante para a reestruturação do tecido muscular, para que isso ocorra é necessário respeitar o tempo de recuperação tecidual e dosar de maneira responsável as variáveis do treinamento. Porém é extremamente comum as pessoas fazerem uso indiscriminado de anti-inflamatórios após os treinos para atenuar a dor tardia proveniente dos exercícios físicos, sem saber que isso acaba prejudicando seus resultados.
Um estudo realizado com 31 pessoas ativas de ambos os sexos, com idades entre 18-35 anos, separadas em 2 grupos durante 8 semanas constatou que no grupo que treinou sem a utilização de anti-inflamatórios teve um ganho de massa muscular de mais de 7,5% e de força de mais de 29% enquanto que o grupo que treinou e fez uso do medicamento teve ganhos de pouco mais de 3,7% e 20% respectivamente.
O sistema imunológico possui a capacidade de remover os agentes invasores, bem como a capacidade de aumentar o dano tecidual e gerar tanto o crescimento quanto a reparação do tecido, porém no estudo supracitado ficou evidenciado que as doses diárias comprometeram o ganho de força, resistência e hipertrofia muscular independente do método de treinamento utilizado, o mesmo demonstrou que os anti-inflamatórios tem impacto negativo nas respostas agudas ao exercício e uma regulação negativa significativa sobre a citocina inflamatória IL-6*.
*A IL-6 é uma citocina pró-inflamatória que promove maturação e ativação de neutrófilos, maturação de macrófagos e diferenciação/manutenção de linfócitos-T citotóxicos e células matadoras naturais. Além disso, ativa astrócitos e micróglia, e regula a expressão de neuropeptídeos após lesão neuronal, contribuindo para sua regeneração. Contudo, também exerce propriedades anti-inflamatórias durante a lesão, por liberar receptores solúveis de FNT (sFNTRs) e IL-1AR.
Fontes:
Lilja M, Mandić M, Apró W, Melin M, Olsson K, Rosenborg S, Gustafsson T, Lundberg TR: High doses of anti-inflammatory drugs compromise muscle strength and hypertrophic adaptations to resistance training in young adults. Scandinavian Physiological Society. Published by John Wiley & Sons Ltd, doi: 10.1111/apha.12948, 2017.
Ferreira DS, Evangelista AL, Junior LCC, Germano MD, Lopes CH: Treinamento de força inflamação e reparo. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 12 Número 3 - maio/junho 2013
Oliveira CMB, Sakata RK, Issy AM, Gerola LR, Salomão R: Citocinas e Dor. Rev Bras Anestesiol 2011; 61(2): 255-265







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